Como a música impacta na sua produtividade?

Como a música impacta na sua produtividade? Não sei se você já parou para pensar nisso. Se sim ou se não, vem comigo pra gente bater um papo sobre isso. Mas, antes de falarmos sobe música em si, seria legal alinharmos o que é produtividade, essa palavrinha que muitos gurus adoram usar por aí como sinônimo para fazer um monte de coisas em menos tempo, geralmente sobrecarregando seu dia e ficando cada vez mais perto de um burnout.

Quando eu falo em produtividade penso sempre na Thais Godinho, do Vida Organizada, e em David Allen, criador do método GTD. Ambos adotam a definição de produtividade como gerenciamento de energia, não de tempo. Em resumo, é um lance de você se observar para saber em que momentos do dia você tem mais ou menos disposição e escolher as tarefas apropriadas para esses momentos.

Por exemplo: eu gosto de escrever de manhã, porque é o período em que consigo me concentrar melhor. Para você ter uma ideia, esse texto está sendo escrito em uma manhã de sexta-feira, às 6h47, para ser mais exata. Mesmo na Royal, eu sempre dou um jeito de deixar a criação de conteúdos mais longos ou complexos para o período da manhã.

Quem trabalha comigo já ouviu várias vezes, no fim do dia, eu dizer algo como: “Pode ser amanhã cedo, porque agora meu cérebro já virou gelatina?” diante de alguma demanda inesperada e um pouco mais complicada. Se é possível esperar, eu consigo garantir um nível melhor de energia para atendê-la. Mas, olha só, essa explicação é bem rasa, então recomendo que você vá direto à fonte por onde comecei a aprender isso, o blog Vida Organizada. Vai por mim, vale a pena.

Com uma ajudinha de meus amigos

Bom, agora que a gente já está na mesma página sobre produtividade ser gerenciamento de energia, então voltamos à pergunta do começo desse texto: como a música impacta na sua produtividade, ou seja, na forma como você usa sua energia para executar tarefas ao longo do seu dia?

Bom, dando um spoiler, a música é essencial para mim, mas tem uma pegadinha (it’s a trap!): não é qualquer música, e eu levei algum tempo para descobrir o que realmente funcionava para mim. E, para aumentar o nível de dificuldade um pouquinho mais, pode ser que o tipo de música que ajuda na sua produtividade hoje também mude com o passar dos anos.

A música sempre esteve presente na minha vida. Minha família sempre foi bastante musical, de modo geral, especialmente a minha mãe. Só meu irmão e eu sabemos o que eram aquelas caixas com 567 fitas cassetes de Roberto Carlos contra 1 fita das crianças (com Balão Mágico e afins) ocupando o toca-fitas do carro, de casa, e se marcar até na casa da vizinha (que era minha vó, então também tocava por lá).

Mas além de Roberto Carlos, tinha também muitos outros artistas que faziam parte da nossa “formação musical básica”. Beth CarvalhoChico Buarque, Milton Nascimento, Nelson Gonçalves, Gal Costa, Maria Bethania, Ney Matogrosso, Jovem Guarda, Rita Lee, Simone, Tom Jobim, Vinícius & Toquinho… e Beatles. Se isso me tornou uma pessoa eclética? Não. Me tornou uma pessoa chata.

Não me decepcione

Quando comecei a trabalhar no jornal, percebi que em alguns momentos era impossível me concentrar. Imagine uma sala fechada com umas 20 pessoas ao mesmo tempo, metade delas ao telefone ou falando com a pessoa ao lado, gente entrando e saindo o tempo inteiro – com portas batendo, telefones tocando a cada 30 segundos e você precisando escrever no mínimo umas 4 matérias?

Com o tempo, comecei a levar meu fone de ouvido, primeiro com meu walk-man (se você não sabe o que é, dê um Google, por favor), depois com um MP3 player (levou um tempo até smartphones, iPods e Spotify virarem uma realidade).

Para me concentrar, ouvia Ramones. Sim, sério. Era um som que me dava energia, principalmente no final do dia, quando meu cérebro estava em vias de virar gelatina, e ao mesmo tempo isolava o som externo. Eu digitava ao ritmo da música. One, two, three, four. Foram anos assim.

De certa maneira, eu tinha uma resistência enorme ao barulho. Até começar a trabalhar em home office, quando fui para a Royal. Em casa, acabou minha resistência. Me concentrar tornou-se um desafio, ao som de Ramones, então, impossível.

Comecei a perceber que, trabalhando sozinha, tocar músicas que eu gostava fazia com que eu quisesse cantar junto. Isso me dispersava na hora de escrever. Daí pensei que, se escutasse música instrumental, o problema estaria resolvido. Sim, #sóquenão.

playlist no spotify com músicas para ajudar na produtividade
Imagem: Reprodução da minha página de início do Spotify

Tudo o que você precisa é amor

Se eu ouvisse versões instrumentais de músicas conhecidas, eu cantava junto do mesmo jeito. Então fui pesquisar e li que música clássica seria uma boa, melhor ainda se fosse Mozart. Tentei por um tempo e, apesar de curtir compositores clássicos, não rolou para mim. Fui para o jazz, que também amo, e dependendo da minha vibe às vezes funciona. O problema é que às vezes é um pouco cansativo.

Passei a alternar fases com e sem música. Dependia muito do comportamento da vizinhança. Até a quarentena começar e irmos parar em uma versão piorada do mundo invertido (pelo menos psicologicamente falando). Minha busca pelo som perfeito recomeçou.

Playlists de músicas para escrever, estudar, trabalhar no YouTube. Não rolou. Eu ficava agitada em vez de tranquila. Será que as músicas do meu app de meditação funcionariam? Eu curtia o som de fundo das meditações guiadas. Escutava direto (já antes da quarentena começar). Era o dia inteiro com o som meditativo. Na busca por alternativas para dar uma variada, vi uma recomendação da Thais Godinho da playlist Deep Focus, no Spotify, e realmente é ótima.

Vez ou outra, eu a coloco para tocar. Até assinei o Spotify para evitar a intrusão de anúncios (Imagine você ali, na maior concentração, e entra alguém gritando no seu ouvido, do nada, e um som num estilo musical que não tem nada a ver com seu histórico no app?), e isso me incentivou a explorar mais a plataforma.

O fim

Aos poucos, estou montando uma lista de músicas que funcione para mim. Descobri uma playlist que hoje é minha favorita, Acoustic Concentration. É ela que está tocando no meu fone enquanto escrevo esse texto. Pelo tanto que escrevi até aqui, deu para perceber que ela funciona bem, né?

A música certa nos dá tranquilidade e disposição, e também ajuda no foco e na produtividade, sim. Para mim são violões acústicos tocando músicas instrumentais. E pra você?

*A foto em destaque é do Beatles Museum, em Liverpool, tirada em 2013.

Deixe um comentário