O que você só aprende quando começa a produzir conteúdo

Sabe aquela história de que não adianta falarem algo para você, o entendimento (espera-se) só vem mesmo quando você sente na pele? Pois é, hoje eu queria falar sobre o que você só aprende quando começa a produzir conteúdo pra valer, na prática.

Pouco antes de começar a escrever esse texto, eu estava rabiscando umas linhas sobre como vez ou outra, do nada, eu ouço na minha cabeça a voz de David Coverdale cantando Soldier of Fortune. E conforme eu ia escrevendo, um monte de ideias começaram a surgir na minha mente.

Às vezes, esse sentimento é como aquela famosa sequência do bar em Uma Mente Brilhante, quando o John Nash se liga de que, se todos os caras forem em cima da mesma mulher, eles vão se bloquear e nenhum deles vai ter chance com ela. Daí ele sai correndo de lá e começa a fazer um monte de cálculos, colocando sua ideia no papel, criando uma teoria matemática.

Outras vezes, a sensação é mais como o meme da Nazaré Confusa, e todos aqueles cálculos definitivamente não fazem sentido algum. Aliás, Nazaré Confusa também pode aparecer posteriormente, quando eu leio alguma anotação que fiz lá atrás e tento entender WTF eu estava pensando no momento.

Cena de Russell Crowe como John Nash no filme Uma Mente Brilhante
Imagem: Divulgação

Bote suas ideias no papel

Mas essa história toda serve para te contar o seguinte: é só escrevendo essas coisas, botando as ideias no papel (ou no vidro da janela, tipo o John Nash), que a gente consegue perceber que, independentemente de serem boas ou ruins, novas ou velhas, inéditas ou batidas, elas são resultados das conexões que fazemos no nosso cérebro.

Quando juntamos um monte de referências (no meu caso David Coverdale cantando Soldier of Fortune, uma sequência de Uma Mente Brilhante e um meme), e acrescentamos nossas próprias experiências e pontos de vista, sempre é possível criar algo novo, tipo esse texto.

Eu sei que falando parece fácil (ou não), mas você só vai saber se tentar. Então não adianta ficar procurando formulinhas mágicas para criar conteúdos perfeitos e que vão encantar todo mundo, porque isso não existe. Lembre-se que mesmo usando formulinhas, em algum momento você vai ter que arregaçar as mangas e trabalhar.

Today your love…

E ainda assim, pode dar tudo errado.

Primeiro porque é impossível agradar a todos – a sabedoria popular tem um monte de ditados que demonstram isso. Se você conseguir falar algo que faça sentido para pelo menos uma pessoa, e que a ajude de alguma maneira, já vai ser muita coisa. Saber isso é importante, porque relacionamentos são construídos um a um, e precisam de tempo e atenção. Ou, como cantava Joey Ramone, 🎶today your love, tomorrow the world🎶.

Segundo porque o óbvio também precisa ser repetido: não existe fórmula mágica de sucesso, menos ainda perfeita. Ou como mestre Guilherme Sebastiany sempre nos lembra, “Fórmulas de sucesso só funcionam para quem as vende”.

Reflita sobre isso por alguns momentos antes de seguir em frente por aqui…

Meme Nazaré confusa
Imagem: Divulgação

Tomorrow the world!

Em resumo: use suas referências, pois elas fazem parte de você. Pode ser sua paixão por futebol, sua habilidade para diferenciar gêmeos idênticos ou seu conhecimento da filmografia completa de Nicholas Cage. Não despreze o que você sabe, porque em algum momento tudo isso pode ser útil.

Tenha sempre alguma ferramenta para anotar as ideias quando elas surgirem. Pode ser um celular, mas um bloquinho/caderno e caneta ainda são imbatíveis nos quesitos liberdade de criação e praticidade. Ah, e não ficam sem bateria. Pintou uma ideia? Bote no papel. Pode ser uma palavra, um desenho, uma frase ou um texto inteiro.

Anote primeiro, edite (ou julgue) depois. Se você ficar botando defeito na ideia quando ela aparecer, há grandes chances de você criar uma fama negativa no mundo das ideias. Lembre-se de que ideias são sensíveis e um pouco fofoqueiras. Se elas acharem que você vai julgá-las antes mesmo de conhecê-las direito, elas vão parar de aparecer. (Dica: vale ler o livro Grande Magia, de Elizabeth Gilbert, para se aprofundar nessa conversa.)

Dê um tempo antes de revisar suas anotações. Às vezes precisamos de um distanciamento temporal para conseguirmos avaliar aquela ideia. Às vezes acontece de você achá-la ruim e jogá-la fora. Não faça isso. Pode ser que apenas não seja o momento certo para ela. Você pode incubá-la até que a oportunidade apareça para você usá-la (para saber como essa história funciona, leia A Arte de Fazer Acontecer, de David Allen).

Eu tenho um caderno de ideias no Evernote. São textos inacabados, assuntos e referências que podem virar conteúdo algum dia, que não hoje. Também tenho vários cadernos analógicos, mas o Evernote tem um recurso de câmera, então eu posso fotografar uma anotação e depois encontrá-la mais facilmente quando eu precisar, usando o sistema de busca por palavra-chave.

Pois é. Escrevi esse texto inteiro porque David Coverdale resolveu cantar Soldier of Fortune na minha mente. Imagine, então, o que você pode fazer com esse pensamento que está aí colado no seu cérebro.

*A foto em destaque foi tirada durante uma aula de fotografia, em junho de 2011

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