Um papo sobre presença digital com Rafael Daibs

No final do ano passado, quando comecei a rabiscar o projeto de Mandis, duas coisas ficaram muito claras para mim. A primeira delas é que esse canal seria uma extensão da sala de aula, onde eu poderia compartilhar referências e aprofundar algumas ideias. A segunda é que seria um espaço aberto para profissionais de comunicação trazerem suas experiências, mostrando diferentes pontos de vista. Tem tanta gente bacana por aí, pronta para dividir seu conhecimento. Em outubro, eu bati um papo sobre presença digital com Rafael Daibs, que hoje eu compartilho por aqui.

O Rafa é profissional de marketing digital desde 2012. Professor universitário, ele é aquele cara que está sempre pronto para esclarecer suas dúvidas e topar convites para entrevistas em sites que ainda nem existem (junto com Jacqueline Lafloufa e Erika Fauchère, que ainda vão aparecer por aqui).

Nos últimos anos, ele tem se dedicado a ajudar marcas a se relacionarem melhor com seus públicos, especialmente em redes sociais. Agora, ele divide um pouco das suas impressões e aprendizados por aqui:

Como você explica para seus clientes em potencial a importância de se ter uma presença digital e, consequentemente, a criação de conteúdo útil e relevante?

Os clientes que trabalho hoje já sabem do potencial que o digital tem para os seus negócios e estão buscando otimizar o posicionamento de suas marcas no ambiente online. Cabe a mim ajudá-los a encontrar a melhor estratégia digital para suas marcas, que possibilite a comunicação e relacionamento com seus consumidores. Então eu explico isso e basicamente digo que uma marca precisa estar bem colocada onde seus consumidores estão, ser facilmente encontrada no digital e capaz de responder às demandas dos seus consumidores com agilidade e criatividade. E nada disso é possível sem uma inteligência de conteúdo, porque eu acredito que bons conteúdos geram impressões positivas e são muitas vezes o início da experiência com a marca.

Quais as maiores dúvidas que seus clientes têm em relação à presença digital e como você ajuda a solucioná-las?

As maiores dúvidas atualmente dizem respeito à construção de uma estratégia digital. Lido com pessoas ligadas à marcas que já têm uma atividade de comunicação digital, mas que hoje buscam resultados mais efetivos dos seus investimentos. São profissionais que sabem da importância do digital para os seus negócios e também que seus consumidores têm um grau de atividade digital intenso. Mas mesmo assim e tendo capacidade financeira para investir mais energia no digital, eles não têm a segurança para fazer isso porque naturalmente estão mais focados na gestão do negócio em si, em gerar mais negócios. E quando me procuram, eu apresento a eles possibilidades estratégicas que sejam possíveis do ponto de vista operacional e que estejam adequadas às suas realidades.

Procuro mostrar que uma boa estratégia digital passa não só por ferramentas e plataformas, como também exige que sejam transparentes e responsáveis com seus consumidores, que sejam atenciosos, criativos e ágeis na entrega daquilo que se propõem a fazer.

 “Uma boa estratégia digital passa não só por ferramentas e plataformas, como também exige que sejam transparentes e responsáveis com seus consumidores, que sejam atenciosos, criativos e ágeis na entrega daquilo que se propõem a fazer.” 

Na sua opinião, qual a importância de se ter uma estratégia de marketing/presença digital e o que é preciso para criá-la?

Acho que vivemos um momento importantíssimo do ponto de vista de comunicação, onde as pessoas estão muito conectadas e isso vem transformando com muita velocidade o comportamento de consumo de produtos, serviços e da própria informação. Todos aqueles padrões de consumo que conhecíamos enquanto publicitários jamais serão iguais novamente. Com a chegada da tecnologia 5G no Brasil, que deve acontecer nos próximos anos, o impacto na indústria da comunicação e no relacionamento entre marcas e consumidores será muito forte, principalmente porque os consumidores vão mergulhar nessa nova maneira de conexão. Tudo isso vai gerar muita fricção, e fricção dói, machuca porque nem todo mundo quer mudar! Ter uma estratégia de marketing que contemple todas essas transformações que o mercado vem passando, e ainda vai passar, é essencial para sobrevivência de uma marca nesse cenário.

É preciso visão para se antecipar e capacidade analítica para saber interpretar um volume cada vez maior de informações que podem ser absorvidas e reutilizadas no processo de comunicação e marketing. Às vezes sinto que não há nem muito tempo para se preparar como antes era possível. Por outro lado, temos recursos como informações e ferramentas que são grandes aliados que possibilitam reagir com eficiência.

Quais os principais erros que você vê marcas (empresas ou pessoas) cometendo nas redes sociais? Eles poderiam ser evitados?

Hoje acho que o principal erro é insistir em seguir padrões ou ”fórmulas” acreditando que aquilo que foi criado e pensado para um determinado público/objetivo vai dar bons resultados para o outro. Fazer isso é ignorar que redes sociais são redes de pessoas, e as pessoas são muito diferentes umas das outras. Nesses ambientes onde as redes acontecem, pessoas esperam que sejam reconhecidas de forma quase que individual e não gostam quando percebem que estão sendo tratadas como “mera audiência”. Pessoas curtem, compartilham, mas acima de tudo têm nomes, gostam de conversar e principalmente, gostam de ser escutadas.

Outros erros comuns é não planejar como estar presente nas redes sociais, não ter uma boa estratégia de conteúdo ou achar que quantidade de fãs, seguidores ou “likes” é realmente importante.

“Acho que o principal erro é insistir em seguir padrões ou ‘fórmulas’ acreditando que aquilo que foi criado e pensado para um determinado público/objetivo vai dar bons resultados para o outro.” 

Qual o projeto profissional do qual você tem mais orgulho de ter participado?

Que pergunta difícil de responder!! Me considero abençoado por Deus por logo no início da minha graduação poder ter trabalhado com pessoas brilhantes ou que de alguma forma me ajudaram a buscar meus diferenciais. Desde as primeiras experiências profissionais em agências, onde comecei minha carreira, tive espaço para aprender, desaprender e reaprender. Só que esse processo pode ser muito doloroso quando se leva em consideração que as coisas de ontem nunca mais serão como eram, e a cada novo dia tudo se faz novo ou diferente.

Participei e ajudei a realizar trabalhos regionais, nacionais e internacionais que me orgulho bastante. Mas subjetivando a sua pergunta, eu acho que o principal projeto profissional do qual me orgulho e ainda participo é o projeto da minha carreira profissional, porque engloba ser humano, ser pai, ser filho, ser irmão, ser marido, ser amigo e colega, ser cidadão, corintiano (risos), etc. E ainda como consultor e profissional de marketing digital ser capaz de dar resultado para meus clientes! É um desafio ENORME!

*A foto em destaque é do arquivo pessoal do Rafael Daibs.

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